Ao meio da noite, Demetria olhava algumas estrelas que já começavam a aparecer por completo pelo céu escuro e encoberto. Suas dúvidas e frustrações a atormentavam sem dó nem piedade diante de inúmeras perguntas que sua cabeça fazia ao se lembrar da última conversa que tivera com seus pais. Nunca havia desejado tanto que sua vida pudesse mudar completamente e ser uma pessoa normal. Uma adolescente normal. Mas a expressão de aflição em sua face mudava sempre que seus olhos passavam pela imensa mansão onde morava. Os quadros e estátuas antigas faziam sua cabeça trabalhar e concluir que não importa o que fizesse, sua vida era aquela e isso não mudaria.
Depois que cansou de ficar debruçada a janela de seu quarto - que era um dos maiores da casa, foi até o quarto á direita do seu, onde imaginava que sua irmã Melany dormia. Mas a garota se surpreendeu quando encontrou a outra sentada sobre sua cama, parecia um pouco chateada. A mais velha caminhou cautelosamente até perto de onde a irmã estava e ajoelhou em frente a cama, ajeitando um pouco seu vestido para que conseguisse ficar mais confortável naquela posição. Se surpreendeu quando Mellany não a olhou.
- Mell, como você tá?
Sua voz pareceu um pouco alto em meio aquele silêncio desagradável. Mellany, ao ouvir a pergunta e com um pouco de dificuldade, levantou seu olhar para Demetria, que pode perceber seus olhos marejados. Logo, levou sua mão até o cabelo da garota, fazendo um carinho ali e assim mostrando que para ela poderia dizer qualquer coisa.
- Ouvi a conversa de vocês ontem á noite. - Mellany confessou, não se culpando por isso. Na verdade ela preferia não ter ouvido nada - Por que você não quer ser uma princesa, Demi?
Então era isso, o sofrimento da pequena era em relação a decisão da irmã. Mas o que ela poderia fazer? Simplesmente não se encaixava nesse mundo de contos de fadas. Reparou no olhar curioso da irmã e percebeu que tinha que lhe dizer a verdade.
- Acho que não pertenço a esse mundo, sabe? De rei e rainha e essas coisas.
- Mas por quê? Eu não entendo...
- Essa vida de sempre depender das pessoas para conseguir alguma coisa, nunca fazer nada por conta própria. Eu quero uma vida sabe? Uma vida que não precise de pessoas para fazer coisas por mim e sim que eu tenha que correr atrás do que eu quero. E eu não quero ser uma princesa.
Mellany ouvia cada palavra atentamente, como se tentasse achar alguma buraco de indecisão entre elas. Mas nada fora encontrado. Demetria estava mesmo decidia. Então só o que lhe restava era apoiar a irmã.
- E por quê todos estavam com cara de enterro no final da conversa?
- Talvez foi quando lhes disse que queria ir a escola.
Mellany mordeu os lábio sem saber o que dizer.
- Mas você não estuda com nosso professor particular?
- O problema é esse, Mellany. Por que eu não posso estudar como uma garota normal, em uma escola?
As duas suspiraram. Uma ainda queria entender a dificuldade que a irmã encontrava em ser uma princesa, enquanto a outra suspirava por não ser a filha mais nova.
- Tudo bem, se você quer assim. Mas me promete que não vai nos abandonar?
- Esse era o seu medo? Que eu abandonasse vocês?
Com a confirmação triste de Mellany, Demi a abraçou dizendo que nunca o faria, nem que morresse por isso. E para a tranquilizá-la mais, cantou em seu ouvido uma música que as duas gostavam, e nomearam como a música somente delas. Naquela noite as duas dormiram no quarto de Mellany.
Com o Sol ardente entrando pelas frestas da janela descoberta pela cortina rosa do quarto de Mellany, Demi se levantou depois de se espreguiçar e caminhar de volta até seu quarto. Isso seria possível se não tivesse escutado antes o chamado baixo de sua irmã, coçando os olhos, também afetada pela claridade do quarto. Demetria voltou para perto da cama e pensou no que iria dizer da melhor forma possível. Mas nada de bom lhe passou por sua cabeça naquela hora da manhã.
- Minhas aulas começam hoje.
Para a surpresa de Demi, a pequena sorriu, balançando a cabeça concordando.
- Boa sorte, Demi.
Sorte? Demetria nunca acreditou em sorte.
Ao descer as escadas, Demi viu os empregados já postos em seus devidos lugares para começar o dia já os servindo. Aquela mesma rotina era ainda mais dolorosa quando via mais cedo. Ao repararem a presença da garota em direção a cozinha, todos já correram para lhe desejar bom-dia e perguntar se precisava de alguma coisa. Ela precisava era sair daquele lugar, isso sim. Dispensou o carregado café da manhã que a aguardava e comeu apenas uma maçã perfeitamente vermelha, colhida na melhor horta do país. Saiu, depois de pegar sua mochila e arrumar sua roupa, sem saber que aquilo não era assim tão adequado para uma escola.
Não queria, mas foi a escola na grande branca limousine da família. é claro que chamaria a atenção, mas naquele momento sua cabeça estava tão ansiosa para conhecer a vida de pessoas com a sua idade, mas com modos e jeitos completamente diferentes. Ao sair do carro, atraiu vários olhares invejosos e desconfiados, enquanto passava pelo portão do colégio mais bem falado da cidade. Ela torcia para que não a reconhecessem, e com isso não precisaria se preocupar, pois a maioria dali não se interessavam nos filhos(as) dos responsáveis pelo país. E os que se interessavam estavam muito desligados para perceber que havia uma alma real entre eles.
- Ei garota, tem certeza que você não deveria estar num desfile de moda?
- Quem fez o seu cabelo? Quero o telefone para quando eu quiser dar um novo penteado na minha cadelinha.
Demetria fazia de tudo para ignorar, mas parecia que a distância da sala de aula ficava cada vez mais longe. Depois de mais alguns - ofensivos - argumento sobre si, ela finalmente entrou na sala quase vazia onde foi avisada que começaria suas aulas. No fundo da sala seus olhos encontraram um garoto, concentrado enquanto lia um livro e nem percebeu a presença dela. Demi ficou com medo de, se percebesse também a ofenderia então preferiu assim. Mas como uma boa desastrada que era, ao puxar a cadeira para se sentar, um barulho agonizante dos pés da cadeira contra o chão da sala chamou a atenção do garoto.
- Te atrapalhei? Me desculpe.
Ela pediu antes mesmo de esperar por uma resposta dele. Mas mesmo assim o garoto não disse nada. Talvez quando viu na aparência elegante de Demi pensou em ser uma novata que com certeza viraria uma líder de torcida dali a frente. Mal sabia ele da grande inocência que Demetria carregava consigo.
- Por que está me olhando desse jeito?
Ele a olhava com uma mistura de desprezo por não gostar de tipos de garota com ela, mas ao mesmo tempo que sua cabeça fazia pouco caso da menina, seus olhos simplesmente não conseguiam se desviar diante de sua beleza. Poderia estar exagerando....
- Não me atrapalhou, não se preocupe.
Demetria sentiu seu estômago lhe dar uma pontada ao ouvir a voz dele soar um tanto fria mas ainda sim suave, o que fez seus ouvidos pedirem por mais.
- Tudo bem.
E então os dois se calaram. Ele voltou a sua leitura e ela, bom, Demetria o observava discretamente tentando entender o que ele estava lendo. Sua atenção foi totalmente prestada aos alunos entrando apressados naquela sala depois de um alto som agudo saindo dos altos falantes espalhados pela escola. Todos repararam que havia alguém novo ali, mas preferiram não comentar nada. Demetria não os entendia. Poucos minutos depois, uma mulher de aparência envelhecida adentra a sala carregando uma bolsa repleta de livros. Uma professora tradicional, é isso o que ela era.
- Ora vejam, estava na diretoria quando fui avisada sobre a grande notícia mas a princípio não acreditei. E agora entro aqui e vejo...
A mulher olhava para Demi enquanto falava, fazendo a garota se sentir desconfortável diante daquela situação.
- Não acredito que a filha dos Lovato está aqui na minha sala!
Ao ouvirem Lovato sair da boca da mulher, todos começaram um burburinho alto entre eles e Demi se sentiu mais desconfortável ainda. Você é filha dos Lovato? O que está fazendo aqui? Seu lugar não é junto com as majestades? Quem é Lovato? Demetria sentia que iria enlouquecer. Mas uma voz que perturbava sua cabeça ainda não tinha se manifestado.
- Me diga criança, o que a fez se matricular na nossa escola?
- Queria conhecer melhor a vida dos adolescentes.
E inesperadamente a sala riu de forma sarcástica e Demi preferiu abaixar a cabeça.
- Espero que goste da escola, e faça muitos amigos. Não é classe?
A resposta foi feita por risadas outra vez. Só levantou para dizer seu nome e começar a aula.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Messy Secrets
Prologo.
‘’Fugir nem sempre é a solução para tudo.’’
Aprendi isso com uma pessoa estranhamente especial e que, apesar de tudo, não desistiu de mim uma única vez. Muitas pessoas cometem erros hoje em dia, e posso dizer que eu sou uma delas, e ás vezes nem consigo enxergar esses erros. Acho simplesmente uma coisa normal. E sempre tem aquela pessoa que parece querer infernizar a sua vida ou te encher de coisas que nem você mesmo sabe o que significam. Mas no fundo, essa pessoa só quer ter ajudar.
Meu problema é encontrar essa pessoa, se é que ela existe na minha vida.
Talvez exista, mas só eu não vejo.
Eu só quero encontrá-la.
Flashback on/
Não é muito legal ficar andando pelas ruas completamente escuras á noite depois de uma bebedeira. Digo isso porque não é a ultima vez que cometo esse mesmo erro e acabo me metendo em alguma furada. E a maior delas - que não consigo esquecer, não importa o que eu faça - aconteceu á exatamente duas semanas atrás, no Central Park. Era quase meia noite quando finalmente sai de um pub recém construído no bairro. Haviam várias pessoas da escola, muitas que eu nem imaginava que um dia frequentaria aquele lugar. E o melhor em ir a uma festa de inauguração é os variados tipos de bebidas que eles servem. Afinal, querem agradar para que os outros voltem lá outra vez, e eu digo com toda certeza que eles podem contar com a minha presença. Aquile lugar era foda. Me deixei abusar de tequila e outra bebida de cor estranha que na hora não consegui pronunciar o nome. Conheci uns caras e acabei voltando para casa bêbada, sem conseguir carona. Sorte que minha casa era perto dali. O caso é que, naquela noite, quando passei cambaleando no Central Park, enxerguei em meio ao embaçado dois homens altos vestidos com grandes casacos pretos, tentando não ser identificados, suponho eu. Logo me apavorei, sentindo um embrulho esquisito no estômago. No meio deles, uma garotinha, aparentando ter uns dez anos, gritava pedindo por socorro.
Me apavorei.
Mesmo ainda sob o efeito do álcool, fiquei escondida ali, só esperando para ver o que eles iriam fazer com aquela pobre garotinha. Num estante seguinte em que tentei caminhar até lá - eu não faria isso se estivesse sóbria, só pra constar - um dos homens tirou um objeto prateado de dentro da calça, apontando para a cabeça da garota, que agora chorava apavorada. A cena era simplesmente horrível de se ver. Logo parei de andar, mas ao tentar procurar meu celular na bolsa e ligar para a polícia, o desgraçado tocou, começando uma música escandalosa que até hoje me arrependo de a ter colocado.
Me lembro exatamente o que aconteceu depois.
Os olhares frios e medonhos que aqueles caras me lançaram fizeram que meu coração disparasse. Eles me acharam ali em meio aos arbustos pinicantes. Pensei em correr mais seria muita burrice sabendo que eles estavam com uma arma na mão, então apenas fiquei parada.
- Garota, eu sei que você está ai. Saia e podemos aliviar as coisas pra você! - ouvia um deles gritando com sua voz grossa e firme. Preferi não contrariá-lo e fui até diante deles, mantendo uma distância segura, claro.
Percebi que o homem mais alto vinha em minha direção, mas minha atenção estava completa na garotinha que lutava para de desviar dos braços do outro que ainda apontava a arma para ela. E o cara alto sorriu sacana, vendo que eu estava alegrinha e quando percebi as intenções dele comigo, corri até a garotinha. Sim, corri, sabendo de todos os riscos. Ah, qual é, me dá um desconto, eu estava fora de mim. Tentei a puxar para longe dele, mas antes que ao menos conseguisse encostar em alguma coisa, fui puxada para trás. Na hora não doeu, mas tinha certeza que doeria depois.
- SEU VIADO, SOLTA ELA AGORA! - gritei, me arrependendo em seguida. Eu tava pedindo pra morrer, só pode. Levei um tapa ardido na cara o que me fez cambalear pra trás, mas continuei em pé.
- Olha aqui, garota. - o mais alto, com uma mão pegou em meu queixo, o apertando e me fazendo olhar para aquela cara feia dele, e com a outra segurou meus pulsos, me deixando incapaz de os movimentar. - Se você fazer qualquer movimento suspeito, pode apostar que essa garotinha irá para o inferno, tá me entendendo?
Sentia minha cabeça latejar mais e mais forte e com dificuldade assenti devagar. Mas como sempre as coisas nunca dão certo pra mim. Eu não iria me mexer, não iria.....
Mas foi mais forte do que eu.
Meu estômago não aguentava mais os movimentos que fiz antes e sem me conter, eliminei tudo o que bebi durante a noite em cima do tênis fedido do cara. Eu me odiava naquela hora, dude. Porra, eu tinha que vomitar bem naquele momento em que eu menos podia me mover? E a única coisa que passou pela minha cabeça depois que me recuperei foi: ''fudeu''.
Cinco minutos depois eu estava ajoelhada com a garotinha nos braços depois de ver os dois filhos da puta fugindo dentre os arbustos. Chamei a ambulância, mas já era tarde.
Flashback off/
- Senhorita Lovato, você está acusada de cometer homicídio doloso contra uma criança indefesa. Por favor, me acompanhe.
E desde de esse dia, minha vida não era mais a mesma.
Parte I
Meu dia começou sem graça como de costume. Era da cama para o sofá, do sofá pra cama, o dia todo. Tem gente que acha que morar sozinha é maravilhoso e tudo mais, eu até achava isso, mas me sinto tão solitária ultimamente. Não tenho com quem conversar, nem com quem brigar pelo controle da televisão. E isso é muito ruim, acredite. Pela primeira vez, em pleno sábado, não estava com vontade de sair. Não estava com vontade de encarar as pessoas e ser amigável. Mas também não poderia ir muito longe, pois era vigiada 24 horas por dia. Sim, desde o dia em que fui acusada injustamente daquele assassinato no Central Park, fui obrigada a permanecer perto de casa por um tempo enquanto meu julgamento não acabasse por completo, me deixando livre de toda essa acusação. E o que eu poderia fazer se a única testemunha que tinha para me defender morreu no dia do acontecido? Pelo menos eu sabia que havia pessoas - poucas - que acreditavam na minha inocência. Apesar de tudo isso, acordei hoje sentindo que hoje seria diferente. Não me pergunte por quê, ou como, porque nem eu mesma sei. Só espero que esse dia seja melhor do que os outros, é só isso que eu espero....
Agora estava eu, deitada no sofá com um pote de brigadeiro no colo e assistindo televisão – ‘tá ai uma coisa boa de se morar sozinha, com certeza minha mãe não me deixaria comer brigadeiro logo de manhã. Na tevê não passava nada de interessante, até os comerciais eram mais legais do que os programas de sábado de manhã.
Na verdade nem sei porque acordei tão cedo hoje.
Ainda era somente dez e meia da manhã, nem as crianças de hoje em dia acordam a essa hora. Olhei para o pote de brigadeiro, já quase vazio e senti sede. Quem não sente depois de se entupir de doce, não é? Vou assumir que sou chocólatra com muito orgulho, e tenho pena de quem acha que chocolate faz mal. Coitados, não sabem o que estão perdendo...Mas antes mesmo de conseguir caminhar até a cozinha, escutei a campainha tocando. Senti uma felicidade estranha quando soube que tinha alguém atrás daquela porta. Uma visita, era isso que meu cérebro dizia para meu coração solitário. Claro que também havia a possibilidade de ser o carteiro ou aquelas crianças sem noção brincando de apertar a campainha e sair correndo – sei disso pois já brinquei quando era pequena. Pois é. Mas eu ainda preferia acreditar que era uma visita. Bom, o único jeito de saber era abrindo a porta, e não pensei duas vezes em sair correndo em direção a ela, sem me importar em ajeitar a roupa que havia usado para dormir.
‘’Fugir nem sempre é a solução para tudo.’’
Aprendi isso com uma pessoa estranhamente especial e que, apesar de tudo, não desistiu de mim uma única vez. Muitas pessoas cometem erros hoje em dia, e posso dizer que eu sou uma delas, e ás vezes nem consigo enxergar esses erros. Acho simplesmente uma coisa normal. E sempre tem aquela pessoa que parece querer infernizar a sua vida ou te encher de coisas que nem você mesmo sabe o que significam. Mas no fundo, essa pessoa só quer ter ajudar.
Meu problema é encontrar essa pessoa, se é que ela existe na minha vida.
Talvez exista, mas só eu não vejo.
Eu só quero encontrá-la.
Flashback on/
Não é muito legal ficar andando pelas ruas completamente escuras á noite depois de uma bebedeira. Digo isso porque não é a ultima vez que cometo esse mesmo erro e acabo me metendo em alguma furada. E a maior delas - que não consigo esquecer, não importa o que eu faça - aconteceu á exatamente duas semanas atrás, no Central Park. Era quase meia noite quando finalmente sai de um pub recém construído no bairro. Haviam várias pessoas da escola, muitas que eu nem imaginava que um dia frequentaria aquele lugar. E o melhor em ir a uma festa de inauguração é os variados tipos de bebidas que eles servem. Afinal, querem agradar para que os outros voltem lá outra vez, e eu digo com toda certeza que eles podem contar com a minha presença. Aquile lugar era foda. Me deixei abusar de tequila e outra bebida de cor estranha que na hora não consegui pronunciar o nome. Conheci uns caras e acabei voltando para casa bêbada, sem conseguir carona. Sorte que minha casa era perto dali. O caso é que, naquela noite, quando passei cambaleando no Central Park, enxerguei em meio ao embaçado dois homens altos vestidos com grandes casacos pretos, tentando não ser identificados, suponho eu. Logo me apavorei, sentindo um embrulho esquisito no estômago. No meio deles, uma garotinha, aparentando ter uns dez anos, gritava pedindo por socorro.
Me apavorei.
Mesmo ainda sob o efeito do álcool, fiquei escondida ali, só esperando para ver o que eles iriam fazer com aquela pobre garotinha. Num estante seguinte em que tentei caminhar até lá - eu não faria isso se estivesse sóbria, só pra constar - um dos homens tirou um objeto prateado de dentro da calça, apontando para a cabeça da garota, que agora chorava apavorada. A cena era simplesmente horrível de se ver. Logo parei de andar, mas ao tentar procurar meu celular na bolsa e ligar para a polícia, o desgraçado tocou, começando uma música escandalosa que até hoje me arrependo de a ter colocado.
Me lembro exatamente o que aconteceu depois.
Os olhares frios e medonhos que aqueles caras me lançaram fizeram que meu coração disparasse. Eles me acharam ali em meio aos arbustos pinicantes. Pensei em correr mais seria muita burrice sabendo que eles estavam com uma arma na mão, então apenas fiquei parada.
- Garota, eu sei que você está ai. Saia e podemos aliviar as coisas pra você! - ouvia um deles gritando com sua voz grossa e firme. Preferi não contrariá-lo e fui até diante deles, mantendo uma distância segura, claro.
Percebi que o homem mais alto vinha em minha direção, mas minha atenção estava completa na garotinha que lutava para de desviar dos braços do outro que ainda apontava a arma para ela. E o cara alto sorriu sacana, vendo que eu estava alegrinha e quando percebi as intenções dele comigo, corri até a garotinha. Sim, corri, sabendo de todos os riscos. Ah, qual é, me dá um desconto, eu estava fora de mim. Tentei a puxar para longe dele, mas antes que ao menos conseguisse encostar em alguma coisa, fui puxada para trás. Na hora não doeu, mas tinha certeza que doeria depois.
- SEU VIADO, SOLTA ELA AGORA! - gritei, me arrependendo em seguida. Eu tava pedindo pra morrer, só pode. Levei um tapa ardido na cara o que me fez cambalear pra trás, mas continuei em pé.
- Olha aqui, garota. - o mais alto, com uma mão pegou em meu queixo, o apertando e me fazendo olhar para aquela cara feia dele, e com a outra segurou meus pulsos, me deixando incapaz de os movimentar. - Se você fazer qualquer movimento suspeito, pode apostar que essa garotinha irá para o inferno, tá me entendendo?
Sentia minha cabeça latejar mais e mais forte e com dificuldade assenti devagar. Mas como sempre as coisas nunca dão certo pra mim. Eu não iria me mexer, não iria.....
Mas foi mais forte do que eu.
Meu estômago não aguentava mais os movimentos que fiz antes e sem me conter, eliminei tudo o que bebi durante a noite em cima do tênis fedido do cara. Eu me odiava naquela hora, dude. Porra, eu tinha que vomitar bem naquele momento em que eu menos podia me mover? E a única coisa que passou pela minha cabeça depois que me recuperei foi: ''fudeu''.
Cinco minutos depois eu estava ajoelhada com a garotinha nos braços depois de ver os dois filhos da puta fugindo dentre os arbustos. Chamei a ambulância, mas já era tarde.
Flashback off/
- Senhorita Lovato, você está acusada de cometer homicídio doloso contra uma criança indefesa. Por favor, me acompanhe.
E desde de esse dia, minha vida não era mais a mesma.
Parte I
Meu dia começou sem graça como de costume. Era da cama para o sofá, do sofá pra cama, o dia todo. Tem gente que acha que morar sozinha é maravilhoso e tudo mais, eu até achava isso, mas me sinto tão solitária ultimamente. Não tenho com quem conversar, nem com quem brigar pelo controle da televisão. E isso é muito ruim, acredite. Pela primeira vez, em pleno sábado, não estava com vontade de sair. Não estava com vontade de encarar as pessoas e ser amigável. Mas também não poderia ir muito longe, pois era vigiada 24 horas por dia. Sim, desde o dia em que fui acusada injustamente daquele assassinato no Central Park, fui obrigada a permanecer perto de casa por um tempo enquanto meu julgamento não acabasse por completo, me deixando livre de toda essa acusação. E o que eu poderia fazer se a única testemunha que tinha para me defender morreu no dia do acontecido? Pelo menos eu sabia que havia pessoas - poucas - que acreditavam na minha inocência. Apesar de tudo isso, acordei hoje sentindo que hoje seria diferente. Não me pergunte por quê, ou como, porque nem eu mesma sei. Só espero que esse dia seja melhor do que os outros, é só isso que eu espero....
Agora estava eu, deitada no sofá com um pote de brigadeiro no colo e assistindo televisão – ‘tá ai uma coisa boa de se morar sozinha, com certeza minha mãe não me deixaria comer brigadeiro logo de manhã. Na tevê não passava nada de interessante, até os comerciais eram mais legais do que os programas de sábado de manhã.
Na verdade nem sei porque acordei tão cedo hoje.
Ainda era somente dez e meia da manhã, nem as crianças de hoje em dia acordam a essa hora. Olhei para o pote de brigadeiro, já quase vazio e senti sede. Quem não sente depois de se entupir de doce, não é? Vou assumir que sou chocólatra com muito orgulho, e tenho pena de quem acha que chocolate faz mal. Coitados, não sabem o que estão perdendo...Mas antes mesmo de conseguir caminhar até a cozinha, escutei a campainha tocando. Senti uma felicidade estranha quando soube que tinha alguém atrás daquela porta. Uma visita, era isso que meu cérebro dizia para meu coração solitário. Claro que também havia a possibilidade de ser o carteiro ou aquelas crianças sem noção brincando de apertar a campainha e sair correndo – sei disso pois já brinquei quando era pequena. Pois é. Mas eu ainda preferia acreditar que era uma visita. Bom, o único jeito de saber era abrindo a porta, e não pensei duas vezes em sair correndo em direção a ela, sem me importar em ajeitar a roupa que havia usado para dormir.
- Oi – falei olhando para
uma garota que sorria segurando um pacote embrulhado. Ignorei meu alívio de ser
realmente uma visita, mas essa garota eu não conhecia. Estranho. Ela tinha
cabelo castanho escuro meio avermelhado e olhos escuros que chamavam a atenção
para sua pele clara. Parecia não ser uma daquelas patricinhas idiotas da escola. E parecia também não saber sobre nada do que aconteceu ás semanas, por isso não demonstrou nenhum olhar de desgosto quando sorriu. Observei isso ao olhar seu All Star cinza claro surrado. Já gostei dela.
- Oi – ela disse
sorridente. Ok, isso me pareceu bem estranho. Mas decidi sorrir também – Sou sua
nova vizinha.
Nova vizinha? E desde
quando meus antigos vizinhos se mudaram? Estou mesmo precisando sair de casa....Depois
de um silêncio desconfortável tomar conta da nossa pequena conversa, decidi
dizer alguma coisa para melhorar o clima. E ainda tinha o pacote que ela segurava que certamente seria algum tipo de doce de boas vindas. Típico de vizinhos querendo fazer amizades. Logo me animei.
- Nova vizinha? Bem-vinda, então. Meu nome é Demi. - me apresentei, tentando sorrir, mas logo senti minhas garganta arder um pouco seca. Até tinha me esquecido da minha sede.
- Prazer, Demi. Me chamo Selena, e queria conhecer meus novos vizinhos. Sabe como é, sou uma pessoa super social e amo fazer amizades. Só não sei se sou legal, engraçada porque você sabe né, tenho que ser assim pra conseguir novos amigos e... Eu tô falando demais, né?
- Não, imagina. - tentei parecer menos irônico possível. - Você parece ser uma pessoa legal, não se preocupe.
- Ah, sério? Ok, então. Só passei aqui mesmo pra te entregar isso - me estendeu o embrulho com uma certa rapidez - E te convidar pra uma festa que vou fazer hoje a noite pra conhecer todos do bairro. E ai, vai querer vir?
No momento fiquei um pouco insegura. Claro, a casa dela era do lado da minha, não ficaria muito longe de casa, mas minha preocupação não era essa. Eu não sabia quem iria nessa festa, muito menos se ela conhecia alguém que me reconheceria. Poderia ser arriscado, mas uma parte dentro da minha cabeça gritava para que eu aceitasse esse convite e me divertisse pelo menos por um momento. E ouvir essa parte estava sendo uma opção tentadora.
- Nova vizinha? Bem-vinda, então. Meu nome é Demi. - me apresentei, tentando sorrir, mas logo senti minhas garganta arder um pouco seca. Até tinha me esquecido da minha sede.
- Prazer, Demi. Me chamo Selena, e queria conhecer meus novos vizinhos. Sabe como é, sou uma pessoa super social e amo fazer amizades. Só não sei se sou legal, engraçada porque você sabe né, tenho que ser assim pra conseguir novos amigos e... Eu tô falando demais, né?
- Não, imagina. - tentei parecer menos irônico possível. - Você parece ser uma pessoa legal, não se preocupe.
- Ah, sério? Ok, então. Só passei aqui mesmo pra te entregar isso - me estendeu o embrulho com uma certa rapidez - E te convidar pra uma festa que vou fazer hoje a noite pra conhecer todos do bairro. E ai, vai querer vir?
No momento fiquei um pouco insegura. Claro, a casa dela era do lado da minha, não ficaria muito longe de casa, mas minha preocupação não era essa. Eu não sabia quem iria nessa festa, muito menos se ela conhecia alguém que me reconheceria. Poderia ser arriscado, mas uma parte dentro da minha cabeça gritava para que eu aceitasse esse convite e me divertisse pelo menos por um momento. E ouvir essa parte estava sendo uma opção tentadora.
terça-feira, 25 de junho de 2013
The Lonely - 1
Olhava atentamente para uma paisagem á sua frente. Nela havia árvores enfeitando uma praça onde pessoas conversam com outras enquanto seus filhos brincavam co seus amigos numa caixa de areia. Para Demi, a paisagem perfeita para começar um desenho. Estava ao lado de uma das maiores árvores do lugar e era ali mesmo que começou a organizar suas coisas para começar seu trabalho. Era no fim do outono que as folhas das árvores caíam sobre o solo, deixando-p mais colorido e vivo – sem aquela cama branca da neve no inverno ou as folhas secas do verão – por isso decidiu começar por ali. Traçou seu pincel pelo quadro em branco até chegar na sua parte favorita: as pessoas. Não era como em uma fotografia que simplesmente apertamos o botão para tirar a foto e então registrar o momento seja ele qual for. Em um desenho, sentia que podia criar as pessoas do seu jeito, como se pudesse movê-las para algum lugar ou criá-las fazendo alguma coisa além de estarem apenas passeando no parque. Ás vezes parava para admirar o que elas faziam antes de pensar em como criar essa pessoa no papel, e muitas dessas vezes acabava desenhando o contrário do que a pessoa aparenta ser. Como uma mulher elegante que vestia roupas bonitas e sapatos de marca, preferiu desenhá-la como uma mulher fria, segurando um pequeno pote dourado como se estivesse pedindo dinheiro.
No desenho final as únicas cores que o cobriam eram o preto o vermelho. gostava dessas cores e eram a únicas que guardava em sua mochila quando saía para desenhar. Acabou com poucas crianças brincando enquanto outras estavam deitadas sobre a grama que pintou de vermelho e ao seu redor havia pessoas chorando em uma chuva que caia sobre suas cabeças. Na vida real o que realmente acontecia, mas aos olhos de era totalmente diferente. Abriu um sorriso ao notar seu desenho pronto e do jeito que queria e então resolveu recolher suas coisas e ir embora. Segurava o desenho com uma mão, enquanto a outra ficava dentro do bolso da jaqueta. Elas estavam um pouco sujas de tinta, mas ela não se importava com isso, lavaria depois. Chegou em casa e guardou o quadro junto com os outros que já tinha, enfileirados um ao lado do ouro. Mesmo gostando tanto do que fazia e achando ser uma boa desenhista, não sentia que essa era a sua vocação. Agora estava de volta á casa, em seu mundo, em sua solidão Já havia se distraído pela manhã, mas o resto da tarde sozinha ela ficaria e o jeito de passar o tempo era refletir sobre as coisas, sobre as pessoas e como elas achavam que tudo pode ter seu mérito se tiver felicidade. Ridículo. Cada segundo que passava era uma nova reflexão para ela, e em uma delas veio em seu pensamento o dia em que alguém do colégio violou todo o princípio de não se aproximarem dela. O fato de isso ter acontecido fazia com que ela pensasse que pelo menos uma pessoa na face da Terra enxergasse ela não só como uma garota depressiva que precisa ver a tristeza dos outros para sobreviver, mas aquele garoto dos olhos claros e aparência de galã de novela mostrou pra ela que não importava se não sorria ou não achava graça de certas piadas, o importante era que ele ao menos deixou um tempo e sua vida onde poderia estar com os amigos ou com alguma garota pelos cantos e ao invés disso estava ao lado dela, pronunciando a melhor frase que já ouvira de um estranho.
Se sentiu até lisonjeada por isso. Era com a lembrança daquele dia que ela ia dormir todas as noites, como o pensamento conturbado e a dúvida de que fez realmente a coisa certa em ignorar e deitar na mesa fingindo estar dormindo. Mas por alguma razão, não conseguia acreditar nas pessoas. Demorou para que ele se afastasse dela, mas percebendo que de nada adiantaria esperar por ela elo menos da um sinal de que o queria ao seu lado, protegendo, preferiu voltar para o seu lugar, onde continuava a analisando. Demi sentia isso, e mesmo assim, não moveu nenhum músculo. Na frente da sala o professor de filosofia explicava sua matéria de um jeito bastante tedioso o que fez fechar os olhos não aguentando mais segurar sono já a dominava. Em seu sono profundo, viajando em sonhos esquecidos, nem percebeu o tempo passar. Parou as últimas aulas e pouco a pouco os alunos iam arrumando suas coisas para ir embora, mas ela permanecia deitada em seu mundo, coberta pela touca da jaqueta e surda pelos fones de ouvido. Por isso o sinal La não ouviu. Depois que todos saíram da sala, visivelmente cansados de uma manhã inteira em meio aos estudos, uma pessoa voltou para a sala. Andou até cauteloso e pensou em um modo de acordá-la sem parecer grosseiro. Ouviu um misto de raio seguido de um trovão no céu e com isso uma ideia veio em sua cabeça. Primeiro a descobriu da touca, reparando enfim nos fios escuros de seu cabelo que caíam sobre os ombros como se finalmente se sentissem livres para respirar. Depois tirou com cuidado os dois fones que já não transmitiam música alguma e então tocou em seu rosto, fazendo um carinho suave. Ao sentir uma estranha aproximação,levantou a cabeça bruscamente, fazendo seu cabelo voar para trás e realçar com a cor de seus olhos. O garoto reprimiu um sorriso vendo toda aquela beleza que ela escondia. ‘’ O que é bonito é para se mostrar’’, ele pensou. Ainda com os olhos arregalados pelo susto, ela se cobriu outra vez com a touca e vendo que o garoto não falaria nada, simplesmente mostrou o dedo do meio para ele, antes de pegar suas coisas e sair da sala com passos apressados. Assim que se afastou dele, seu coração diminuiu o ritmo dos batimentos, mas seus pensamentos estavam sempre se perguntando por que aquela proximidade toda com ela? O que ele queria com isso? Começou a correr ao escutar passos atrás dela e seus instintos reconheceram logo quem seria. Estava fugindo de alguém que só queria conversar, saber um pouco mais sobre ela, no entanto achava que o garoto era como todos os outros que a perseguiam: Só queriam maltratar seu coração mais do que já estava maltratando. Chegou ao pátio sentindo o vento freio do ar livre tocar agressivamente em sua pele e continuou forçando as suas pernas a correr. O garoto continuava tentando chegar até ela. Parou de correr quando não ouviu mais nenhum passo, só o burburinho das pessoas se perguntando por que ela estaria correndo no meio do pátio do colégio sem motivos. Ofegante pela corrida, respirou fundo e andou ate o portão do colégio, mas foi surpreendida pelo mesmo garoto parando em sua frente de repente. Teve vontade de lhe dar socos e tapas para ver se ele parasse de perturbá-la, mas sabia que de nada adiantaria, via nos olhos dele a determinação em querer algo com ela. Os batimentos do seu coração não aumentaram só pelo susto. Olhando agora mais atentamente, ela reparou nele não apenas como um simples garoto maluco, mas como uma boa cobaia para um desenho, seu desenho.
Naquela hora se arrependeu de ter se levantado da cama logo cedo de manhã. Nada disso aconteceria se continuasse deitada junto ao escuro e o silêncio, sem ninguém para atormentá-la ou desrespeitar seu especo. O garoto segurou firme nos ombros de , olhando fixamente dentro dos olhos dela, A conexão entre ambos era tanta que ela nem se moveu para se afastar dele. Sentia raiva de si mesma por isso. Devagar e com um pouco de medo, na verdade insegura, levou suas mãos até a cintura do garoto, entendendo o que ele queria fazer e então segundo depois o sentiu a apertar entre seus braços em um abraço carinhoso. Isso fez bem para ela, muito bem. Nunca imaginaria que algum dia se entregaria assim para alguém tão facilmente, O abraçando era como se não tivesse dentro do colégio e sim dentro de um de seus quadros onde ela poderia criar tudo o que quisesse. Ele era uma inspiração para ela. Encostou sua cabeça na curva do ombro do garoto se sentindo totalmente protegida por ele, mas no estante seguinte se lembrou do absurdo que estava fazendo e se afastou, o empurrando não com tanta força já que estava muito abalada para conseguir fazê-lo. O garoto a olhou confuso, sentindo como se algo lhe faltasse depois de ficar sem ter os braços de ao seu redor. Precisava dela consigo. Ignorou todos os olhares que tinham sobre eles e forçou sua voz a sair da garganta.
- Por que você faz isso comigo? – ela perguntou em um sussurro, com sua voz quase rouca e trêmula. Estavam ao lado de dentro do portão do colégio e por isso muitos entravam e saíam por ali, definitivamente não era o melhor lugar para se conversar com alguém, ainda mais se esse alguém for um estranho, apesar de tudo. O garoto continuava a olhando confuso, com as duas mãos no bolso e o cheiro do cabelo de em suas narinas. Não entendia ainda como ela podia se esconder tanto assim. Quando percebeu que a movimentação de pessoas diminuiu, sussurrou outra vez, fazendo de tudo para que seus olhos não fossem atraídos pelo dele. – Por quê?
O garoto franziu a sobrancelha analisando agora a pergunta dela. Era visível que tava nervosa, não no sentido de raiva, mas sim em não saber como reagir numa situação como aquela. E o toque das mãos dele ao redor de seu ombro á um minuto atrás não ajudaram muito. Ainda sentia seu pescoço formigar. Ele se comoveu coma sua voz sensual e o corpo frágil, mas fingiu estar apenas comovido com a pergunta. Sorriu para ela, sem mostrar os dentes, só fazendo seu rosto de abrir e uma pequena covinha se formar no local das bochechas. teria achado fofo se não tivesse com medo do que ele diria em seguinte.
- Você sabe por que – sussurrou de volta, em um tom um pouco mais alto que o dela, e continuo – Eu já disse, não se lembra? – claro que lembro, ela pensou intrigada. Como poderia esquecer daquele dia.
Que alias foi o dia em que mais teve inspiração pata criar novos desenhos, estes que tiveram como diferencial aos outros um tom vinho escuro, com a junção de suas cores preto de vermelho. Nesse dia não saiu de casa para se inspirar na paisagem ou coisa parecida, ficou em casa com a inspiração apenas dentro de sua mete. Em segundos um sorriso nada inocente brotou nos lábios do garoto ao perceber o olhar distante de sobre suas lembranças. Nem pensou muito em se aproveitar da pouca fragilidade dela e voltar a olhar para seus olhos onde era o seu maior ponto fraco quando estava com ele, sabendo que isso a deixaria bastante vulnerável. Esse tipo de olhar nunca a incomodava, mas se importava o bastante para saber que com ele ela não estava cumprindo sua promessa feita a si mesma de que não acreditaria mais em ninguém. Sobre tudo, um simples olhar não era o que ele queria. O garoto ouviu todas as palavras de que ela lembrava, de sua boca sem nenhuma mentira, sem nenhuma vergonha. Apensar dela estar ali imóvel como um iceberg no meio do Polo Norte, esperou até que ela dissesse alguma coisa, nem que disse apenas um ‘’ não me lembro’’, mas mesmo assim sabia que ela estaria mentindo. fechou os olhos evitando o contato dos seus com os dele e coçou a garganta até que a voz alcançasse a boca e o som da resposta alcançasse os ouvido de ambos.
– Me lembro mas não entendo – ela murmurou sincera. Sinceridade era o que faltava em seu vocabulário de vida, mas com a convivência tão de repente desse garoto nem ela mesma estava se reconhecendo. Seus olhos fitavam seriamente as mãos do garoto que estavam perigosamente desse garoto.
Seus olhos fitavam seriamente as mãos do garoto que estavam perigosamente próximo de seus braços outra vez. Mesmo seu corpo formigando por mais um contato pele na pele dele, nunca iria ceder assim tão facilmente. O vento bateu forte contra os cabelos ondulados dele e permitindo sentir onde estava o cheiro de um perfume viciante quer vinha de partes da nuca dele. Lugar esse que quase não conseguiu despregar os olhos. Lembrou de que fazia muito tempo que estava ali patada em frente ao portão do colégio com ele e com isso veio lhe na cabeça uma desculpa perfeita para ir para casa. Só não contava com a facilidade do garoto em descobrir suas mentiras.
- Não precisa entender – ele disse sorrindo. não deixou de reparar em como sorrindo ele parecia mais vivo, bonito – Só... – olhou em volta como se temesse alguém o ouvindo – Só não esqueça do que eu disse.
E então, junto com aquele sorriso, seu cheio viciante e seus olhos extremamente sinistros, ele se foi, a deixando sem ao menos saber seu nome ou se aquilo era alguma espécie de pegadinha. O vendo caminhar parta longe, apertou os olhos e abriu em pouco os lábios na intenção de gritar, o chamar, ou qualquer coisa que o fizesse voltar, mas no fundo estava aliviada por ele estar de afastando, sem ele por perto sua cabeça estaria sob seu controle, e as batidas de seu coração também. imitou o garoto e também foi para casa, passando por uma rua contrária de onde ele andava. Preferiu assim com medo de, se si aproximasse de novo talvez não teria total controle de suas ações. Chegou em casa exausta, sem notar que passou a manhã inteira em jejum, mas não tinha fome alguma, o que estava começando a ficar comum em seu dia-a-dia. Por ela passaria um bom tempo sem se alimentar, nada a impedia.
Mesmo dentro do quarto conseguia ouvir os passos firmes de sua tia ao passar da sala para a cozinha, como sempre fazia quando chegava de mais uma aula de dança d ventre. desceu as escadas correndo, torcendo para ganhar uma boa noticia sobre a situação da casa que há meses estava atrasada no pagamento do aluguel. Íris, sua tia, usava alguns acessórios colorido e brilhantes sobre o rosto e partes do braço, além da maquiagem pesada nos olhos. detestava vê-la assim, por isso nunca quis acompanhá-la nas aulas quando a mesma a chamava. Depois que começou a morar com íris, sua vida ganhou um pouco de privacidade, mas muita solidão. Ao ouvir os suspiros seguidos da sozinha, íris se virou para encará-la, fazendo os seus braceletes se balançarem e soarem um som como sinos. Isso fez os ouvidos de doerem. Começou a tirar seus acessórios enquanto dizia:
- Essa foi a minha última aula.
O motivo entendeu rapidamente, mas sentiu pena da tia retirando os objetos do corpo com tristeza. Dançar era o que ela fazia para se distrair e se esquecer do passado, mas afora precisava do dinheiro das aulas para pagar a casa. A situação financeira das duas não era lá muito boa, e se aborrecia quando íris pedia para que ela vendesse algum de seus quadros e conseguisse dinheiro. Nunca passou pela sua cabeça um dia ganhar dinheiro em cima de seus quadros porque era apenas um hobby e mesmo que sua tia diga o contrário, ela achava que não pintava tão vem assim. Seu quarto já não cabia mais tantos quadros feitos e outros em branco ainda esperando apara serem pintados. Ela se lembrou de seu primeiro quadro pintado a quatro anos e mio , o fundo branco e uma cruz preto no centro. Isso representava exatamente tudo o que ela estava sentindo. Íris trabalhava como entregadora de marmitas no centro da cidade o que era claro que não arrecadava tanto dinheiro, mas em seu pensamento conseguia viver ali á um poucos meses Tempo suficiente para pensar em outro lugar para morar. Claro que sabia que esse planejamento talvez não poderia dar muito certo, pois o dinheiro do aluguel era cobrado toda semana e a qualquer momento seriam despejadas dali. Ela tinha umas ideias na cabeça para resolver toda essa situação, mas mesmo não sendo honesta, teria que pelo menos tentar ou então sua vida pioraria mais do que já sentia que estava. inventou uma desculpa qualquer para poder sair de casa e caminhou determinada até o centro da cidade, que logo estranhou não estar tão movimentado como nos outros dias. Passou em frente a várias lojas de roupas e sapatos até entrar em uma no final da ruía. Ela mesma não acreditar que estava fazendo isso, mas sua cabeça só pensava em viver sem mais nenhuma decepção na vida. Na vitrine da loja se via várias novas coleções de outono inverno vindas de Paris como marcas caras e bem famosas. Ficou um tempo olhando algumas roupas ate perceber uma das vendedoras se aproximar. Ela sorriu para como se mostrasse simpatia.
- Só estou... Olhando – justificou e continuou o que estava fazendo. A mesma entendeu sem desconfiar de nada, afina muitas pessoas iam só para ‘’dar uma olhadinha’’.
sentiu a mulher se afastar e olhou o resto da loja. Não estava tão cheia. Se viu despercebia quando olhou todas aquelas pessoas se divertiram provando roupas novas e então achou o primeiro provador que ficava ao lado do caixa. Pegou uma roupa qualquer sem se importar com o número e foi até o provador começar o tal plano e entrou, podendo ver pelo espelho o que acontecia no caixa. Permaneceu uns minutos lá dentro até confirmar que o caixa estava vazio e fechou os olhos desejando que tudo desse certo.Se agachou cautelosa e foi engatinhando até o caixa, do lado de dentro do balcão. Procurou desesperadamente pelo lugar onde guardavam o dinheiro que recebiam das compras. Logo que achou, pegou uma boa quantia e pôs dentro do bolso da blusa que estava amarrada em sua cintura. Suas mãos tremiam. Nunca lhe passou pela cabeça algum dia pensar em roubar, seja o que for e para o que for, sempre fora contra essas cosas, mas naquele dia para tudo o que ela queria era uma nova vida, sem decepções e arrependimentos. era uma garota orgulhosa, não gostava que ninguém fizesse a cabeça dela por isso preferiu fazer do jeito dela a solução para aluguel da casa. Um trabalho estava fora de cogitação, além de que até que ela recebesse o salário já estaria junto á sua tia do lado de fora da casa.
Mas de uma coisa ela não percebeu, um descuido poderia acabar com todo seu plano de mudar de vida. Já fora da loja, percebeu que algo estava faltando e então se lembrou do broxe com o nome e o símbolo do colégio onde estuda não estava com ela e sim preso na blusa que pegou para provar, que agora estava esquecido ao lado do caixa. Será que, por causa de um broxe preso na ponta de uma blusa seria sua válvula de escape para os próximos piores dias de sua vida?
The Lonely
PRÓLOGO
O Sol do meio dia brilhava naquele dia, deixando a cidade com um ar mais alegre depois que todos estavam acostumados a presenciar dias chuvosos e frios. Dias como esses faziam todo mundo mais feliz. Nem uma nuvem se quer se formava no céu, apenas se vira aquela cobertura azul clara por cima de suas cabeças. Sorrisos eram fáceis de encontrar. Num lugar que existia uma grande quantidade de pessoas em esperança, naquele dia corações se abriram a procura de uma. Em plena segunda-feira, Londres nunca fora tão diferente. As pessoas acordavam já com seus olhos brilhando de ansiedade ao perceber a luz do Sol entrar pela janela de suas casas com uma intensidade jamais vista e muitos pensavam que poderia ser algum tipo de ‘’sinal’’ de que alguma coisa aconteceria. Londres estava agitada. Famílias diferentes com dia-a-dias diferentes de outras continuavam seus afazeres diários agora com um pouco mais de ânimo. As crianças tinham vontade de ir à escola e encontrar seus amigos, enquanto seus pais trabalhavam para sustentá-los. Apenas pequenas coisas podiam passar esses sorrisos para lágrimas, coisas como perder alguém querido ou ser traído da pior forma possível, mas dias vem e vão e toda essa tristeza desaparece. Só havia um lugar em toda Londres que uma pessoa naquele dia não conseguia deixar um sorriso tomar conta de seu rosto; também não só nesses dias, mas em todos os outros que já passaram e por ela mesma ficaria assim pelo resto da vida. Não se importava com o estranho fato do Sol abrir na cidade em pleno inverno, nem mesmo de sentir como se algo fosse acontecer.
''*Jamais o sol vê a sombra.''
Na verdade, Demi não se importava com nada que a deixasse feliz. Enquanto estivesse deitada em sua cama, escutando o despertador tocar anunciando a hora certa de acordar, desejava poder nunca precisar se levantar dali. Por um minuto só desejou se levantar para fechar a janela e bloquear o Sol que batia contra seu rosto, lhe causando sensações esquisitas. Imaginou-se indo outra vez para o colégio no começo da semana e rever as mesmas pessoas com seus mesmos jeitos e formas de se expressarem e depois chegar em, casa com milhares de tarefas de casa e sem nenhuma amiga – ou colega de classe – que pudesse ajudá-la. Ao abrir seu guarda-roupa encontrara enfileiradas roupas escuras que significavam nenhuma importância para aqueles que tinham esperança. nunca repetia suas roupas, mas eram sempre da mesma cor escura, para que quando a vissem, entendiam logo de cara que com ela alguma coisa estava errada, mas não podiam se intrometer. Quase nunca chorava, isso era uma palavra rara em seu vocabulário. Deixar que sua dor minimize por meio do choro. Lágrimas não desciam por seus olhos desde alguns anos atrás, mais precisamente a quase cinco anos, que ela nunca gota de recordar. Embora atualmente nenhum sorriso é encontrado em sua face e sua voz só saia quando precisava responder a alguém ou quando ia à farmácia comprar mais doses de seu calmante e remédio para dormir. Rir então era o que ela mais odiava. O fato de não ter qualquer contato com uma pessoa não a deixava mais infeliz do que já estava, na verdade agradecia que ninguém se importasse em perguntar por que era assim tão fechada em seu mundo.
Eles não a entenderiam de qualquer jeito. Ás vezes ouvia risadas de uns grupos do colégio ao passarem por ela, e uma imensa vontade de lhes atacar com pedras afiadas em direção ao coração a dominava. No caminho até o colégio tentava não chamar muita atenção, se cobria com a touca de sua jaqueta para se esconder de mais cochichos sobre si e se privar de ver pessoas felizes a sua volta. De vez em quando seu coração batia mais forte quando cruzava o corredor dos armários e sentia que alguém a analisava, mas nunca criou coragem ou até mesmo vontade de olhar e descobrir quem era. Muitas vezes até deixava seus livros caírem de sua mão pois a mesma estava com uma umidade estranha ali, e sua pernas tremiam por razões desconhecidas. Para chegar a sala do primeiro tempo precisava passar pelos casaisinhos melosos que ficavam no final do corredor onde era justamente sua sala. Não entendia como tinham capacidade de dizer uns para os outros o amor que ambos sentiam, era inacreditável! Se via de longe que nenhum deles tinham amor próprio, como podiam amar uns aos outros se antes não ama a si mesmo? Sua cabeça pensava sobre isso durante toa a primeira aula que tivera como fácil se distraiu fácil percebeu o sono se aproximar, mas tentou se manter acordada o resto das aulas seguintes.
Quando finalmente a pausa entre as aulas chegou, fora a primeira a ajeitar suas coisas e sair da sala sem ao menos perguntar se já podia sair. Aquele era a parte favorita do seu dia. Todos os dias algumas coisas interessante acontecia com alguns alunos do colégio durante esse tempo, e ela gostava de assistir a infelicidade daqueles da qual detestava. Todos resolvem se aquietar em seus grupos e, sorridentes, contar as novidades do fim de semana. estranhou tudo aquilo quieto demais, Reparando em uma mesa onde um grupo de líderes de torcida conversavam, se lembrou de um momento de sua infância que costumava imaginar ser uma líder de torcida com Aquelas roupas minúsculas e saltos típicos de uma patricinha. Sonhos idiotas de criança. Hoje sentia repulsa de si mesmo por um dia pensar em ser como elas. E na esperançam de alguém ser apanhando por seu inimigo ou se traído pelo seu namorado, sentiu outra vez aquela mesma sensação de ser analisada profundamente e seu coração voltou a pulsar no peito. Por que isso estava acontecendo? Fez de tudo para que seu cérebro lhe obedecesse e não lhe mostrar a direção de onde vinha aquele olhar, mas parecia que nada do que ela fazia era obedecido por ele. E quando percebeu, seus olhos visivelmente abertos como nunca tiveram antes encontraram com outros olhos que transmitiram um brilho intenso sobre os seus. Do outro lado do pátio do colégio. Enfim enxergou aqueles olhos que sempre a analisavam.
Mas sua cabeça ainda se pergunta o por quê. O dono desse par de olhos claros era um garoto que, nunca havia notado, mas depois que reparou direito nele, viu que parecia ser um daqueles disputados por todas as meninas, estilo jogador de futebol. Clichê como nos filmes, no entanto não conseguia parar de olhar. Por um momento o tal garoto resolveu abrir um pequeno e torto sorriso que despertou diversos pensamentos nela. Sorrisos nunca a alegravam. Percebendo isso, ele logo fechou a cara confuso, e piscou, tentando de qualquer jeito fazer com que ela mostrasse pelo menos um pouco de animação. fechou os olhos forçando as pálpebras a ficarem quietas e permaneceu assim até não sentir mais o olhar daquele garoto sobre ela. Com isso, colocou a toca novamente, tampando um pouco os olhos e esperou aquela dor nova e insignificante adentrasse em seu coração. Correu até sua próxima aula onde dessa vez era bem longe de onde ficaram os casais e comemorou por dentro por isso. Ao chegar na sala pode ver na janela que o Sol continuava do mesmo jeito, brilhoso e bonito. Sentou numa das ultimas carteiras afastada de tudo e de todos. Pouco a pouco os alunos que frequentavam aquela aula viam entrando, rindo de qualquer besteira que faziam, abaixou a cabeça para evitar olhar para eles, mas quando sentiu mais uma vez seu coração bater mais rápido que o normal, não conseguia nem pensar em outra coisa a não ser aqueles olhos claros que agora estavam ao lado dela.
- Eu sinto que você precisa de mim.
‘’*Frases de Leonardo da Vinci.’’
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