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terça-feira, 25 de junho de 2013

The Lonely - 1

PRIMEIRO CAPÍTULO

Olhava atentamente para uma paisagem á sua frente. Nela havia árvores enfeitando uma praça onde pessoas conversam com outras enquanto seus filhos brincavam co seus amigos numa caixa de areia. Para Demi, a paisagem perfeita para começar um desenho. Estava ao lado de uma das maiores árvores do lugar e era ali mesmo que começou a organizar suas coisas para começar seu trabalho. Era no fim do outono que as folhas das árvores caíam sobre o solo, deixando-p mais colorido e vivo – sem aquela cama branca da neve no inverno ou as folhas secas do verão – por isso decidiu começar por ali. Traçou seu pincel pelo quadro em branco até chegar na sua parte favorita: as pessoas. Não era como em uma fotografia que simplesmente apertamos o botão para tirar a foto e então registrar o momento seja ele qual for. Em um desenho, sentia que podia criar as pessoas do seu jeito, como se pudesse movê-las para algum lugar ou criá-las fazendo alguma coisa além de estarem apenas passeando no parque. Ás vezes parava para admirar o que elas faziam antes de pensar em como criar essa pessoa no papel, e muitas dessas vezes acabava desenhando o contrário do que a pessoa aparenta ser. Como uma mulher elegante que vestia roupas bonitas e sapatos de marca, preferiu desenhá-la como uma mulher fria, segurando um pequeno pote dourado como se estivesse pedindo dinheiro.

No desenho final as únicas cores que o cobriam eram o preto o vermelho. gostava dessas cores e eram a únicas que guardava em sua mochila quando saía para desenhar. Acabou com poucas crianças brincando enquanto outras estavam deitadas sobre a grama que pintou de vermelho e ao seu redor havia pessoas chorando em uma chuva que caia sobre suas cabeças. Na vida real o que realmente acontecia, mas aos olhos de era totalmente diferente. Abriu um sorriso ao notar seu desenho pronto e do jeito que queria e então resolveu recolher suas coisas e ir embora. Segurava o desenho com uma mão, enquanto a outra ficava dentro do bolso da jaqueta. Elas estavam um pouco sujas de tinta, mas ela não se importava com isso, lavaria depois. Chegou em casa e guardou o quadro junto com os outros que já tinha, enfileirados um ao lado do ouro. Mesmo gostando tanto do que fazia e achando ser uma boa desenhista, não sentia que essa era a sua vocação. Agora estava de volta á casa, em seu mundo, em sua solidão Já havia se distraído pela manhã, mas o resto da tarde sozinha ela ficaria e o jeito de passar o tempo era refletir sobre as coisas, sobre as pessoas e como elas achavam que tudo pode ter seu mérito se tiver felicidade. Ridículo. Cada segundo que passava era uma nova reflexão para ela, e em uma delas veio em seu pensamento o dia em que alguém do colégio violou todo o princípio de não se aproximarem dela. O fato de isso ter acontecido fazia com que ela pensasse que pelo menos uma pessoa na face da Terra enxergasse ela não só como uma garota depressiva que precisa ver a tristeza dos outros para sobreviver, mas aquele garoto dos olhos claros e aparência de galã de novela mostrou pra ela que não importava se não sorria ou não achava graça de certas piadas, o importante era que ele ao menos deixou um tempo e sua vida onde poderia estar com os amigos ou com alguma garota pelos cantos e ao invés disso estava ao lado dela, pronunciando a melhor frase que já ouvira de um estranho.

Se sentiu até lisonjeada por isso. Era com a lembrança daquele dia que ela ia dormir todas as noites, como o pensamento conturbado e a dúvida de que fez realmente a coisa certa em ignorar e deitar na mesa fingindo estar dormindo. Mas por alguma razão, não conseguia acreditar nas pessoas. Demorou para que ele se afastasse dela, mas percebendo que de nada adiantaria esperar por ela elo menos da um sinal de que o queria ao seu lado, protegendo, preferiu voltar para o seu lugar, onde continuava a analisando. Demi sentia isso, e mesmo assim, não moveu nenhum músculo. Na frente da sala o professor de filosofia explicava sua matéria de um jeito bastante tedioso o que fez fechar os olhos não aguentando mais segurar sono já a dominava. Em seu sono profundo, viajando em sonhos esquecidos, nem percebeu o tempo passar. Parou as últimas aulas e pouco a pouco os alunos iam arrumando suas coisas para ir embora, mas ela permanecia deitada em seu mundo, coberta pela touca da jaqueta e surda pelos fones de ouvido. Por isso o sinal La não ouviu. Depois que todos saíram da sala, visivelmente cansados de uma manhã inteira em meio aos estudos, uma pessoa voltou para a sala. Andou até cauteloso e pensou em um modo de acordá-la sem parecer grosseiro. Ouviu um misto de raio seguido de um trovão no céu e com isso uma ideia veio em sua cabeça. Primeiro a descobriu da touca, reparando enfim nos fios escuros de seu cabelo que caíam sobre os ombros como se finalmente se sentissem livres para respirar. Depois tirou com cuidado os dois fones que já não transmitiam música alguma e então tocou em seu rosto, fazendo um carinho suave. Ao sentir uma estranha aproximação,levantou a cabeça bruscamente, fazendo seu cabelo voar para trás e realçar com a cor de seus olhos. O garoto reprimiu um sorriso vendo toda aquela beleza que ela escondia. ‘’ O que é bonito é para se mostrar’’, ele pensou. Ainda com os olhos arregalados pelo susto, ela se cobriu outra vez com a touca e vendo que o garoto não falaria nada, simplesmente mostrou o dedo do meio para ele, antes de pegar suas coisas e sair da sala com passos apressados. Assim que se afastou dele, seu coração diminuiu o ritmo dos batimentos, mas seus pensamentos estavam sempre se perguntando por que aquela proximidade toda com ela? O que ele queria com isso? Começou a correr ao escutar passos atrás dela e seus instintos reconheceram logo quem seria. Estava fugindo de alguém que só queria conversar, saber um pouco mais sobre ela, no entanto achava que o garoto era como todos os outros que a perseguiam: Só queriam maltratar seu coração mais do que já estava maltratando. Chegou ao pátio sentindo o vento freio do ar livre tocar agressivamente em sua pele e continuou forçando as suas pernas a correr. O garoto continuava tentando chegar até ela. Parou de correr quando não ouviu mais nenhum passo, só o burburinho das pessoas se perguntando por que ela estaria correndo no meio do pátio do colégio sem motivos. Ofegante pela corrida, respirou fundo e andou ate o portão do colégio, mas foi surpreendida pelo mesmo garoto parando em sua frente de repente. Teve vontade de lhe dar socos e tapas para ver se ele parasse de perturbá-la, mas sabia que de nada adiantaria, via nos olhos dele a determinação em querer algo com ela. Os batimentos do seu coração não aumentaram só pelo susto. Olhando agora mais atentamente, ela reparou nele não apenas como um simples garoto maluco, mas como uma boa cobaia para um desenho, seu desenho.

Naquela hora se arrependeu de ter se levantado da cama logo cedo de manhã. Nada disso aconteceria se continuasse deitada junto ao escuro e o silêncio, sem ninguém para atormentá-la ou desrespeitar seu especo. O garoto segurou firme nos ombros de , olhando fixamente dentro dos olhos dela, A conexão entre ambos era tanta que ela nem se moveu para se afastar dele. Sentia raiva de si mesma por isso. Devagar e com um pouco de medo, na verdade insegura, levou suas mãos até a cintura do garoto, entendendo o que ele queria fazer e então segundo depois o sentiu a apertar entre seus braços em um abraço carinhoso. Isso fez bem para ela, muito bem. Nunca imaginaria que algum dia se entregaria assim para alguém tão facilmente, O abraçando era como se não tivesse dentro do colégio e sim dentro de um de seus quadros onde ela poderia criar tudo o que quisesse. Ele era uma inspiração para ela. Encostou sua cabeça na curva do ombro do garoto se sentindo totalmente protegida por ele, mas no estante seguinte se lembrou do absurdo que estava fazendo e se afastou, o empurrando não com tanta força já que estava muito abalada para conseguir fazê-lo. O garoto a olhou confuso, sentindo como se algo lhe faltasse depois de ficar sem ter os braços de ao seu redor. Precisava dela consigo. Ignorou todos os olhares que tinham sobre eles e forçou sua voz a sair da garganta.

- Por que você faz isso comigo? – ela perguntou em um sussurro, com sua voz quase rouca e trêmula. Estavam ao lado de dentro do portão do colégio e por isso muitos entravam e saíam por ali, definitivamente não era o melhor lugar para se conversar com alguém, ainda mais se esse alguém for um estranho, apesar de tudo. O garoto continuava a olhando confuso, com as duas mãos no bolso e o cheiro do cabelo de em suas narinas. Não entendia ainda como ela podia se esconder tanto assim. Quando percebeu que a movimentação de pessoas diminuiu, sussurrou outra vez, fazendo de tudo para que seus olhos não fossem atraídos pelo dele. – Por quê?

O garoto franziu a sobrancelha analisando agora a pergunta dela. Era visível que tava nervosa, não no sentido de raiva, mas sim em não saber como reagir numa situação como aquela. E o toque das mãos dele ao redor de seu ombro á um minuto atrás não ajudaram muito. Ainda sentia seu pescoço formigar. Ele se comoveu coma sua voz sensual e o corpo frágil, mas fingiu estar apenas comovido com a pergunta. Sorriu para ela, sem mostrar os dentes, só fazendo seu rosto de abrir e uma pequena covinha se formar no local das bochechas. teria achado fofo se não tivesse com medo do que ele diria em seguinte.

- Você sabe por que – sussurrou de volta, em um tom um pouco mais alto que o dela, e continuo – Eu já disse, não se lembra? – claro que lembro, ela pensou intrigada. Como poderia esquecer daquele dia.

Que alias foi o dia em que mais teve inspiração pata criar novos desenhos, estes que tiveram como diferencial aos outros um tom vinho escuro, com a junção de suas cores preto de vermelho. Nesse dia não saiu de casa para se inspirar na paisagem ou coisa parecida, ficou em casa com a inspiração apenas dentro de sua mete. Em segundos um sorriso nada inocente brotou nos lábios do garoto ao perceber o olhar distante de sobre suas lembranças. Nem pensou muito em se aproveitar da pouca fragilidade dela e voltar a olhar para seus olhos onde era o seu maior ponto fraco quando estava com ele, sabendo que isso a deixaria bastante vulnerável. Esse tipo de olhar nunca a incomodava, mas se importava o bastante para saber que com ele ela não estava cumprindo sua promessa feita a si mesma de que não acreditaria mais em ninguém. Sobre tudo, um simples olhar não era o que ele queria. O garoto ouviu todas as palavras de que ela lembrava, de sua boca sem nenhuma mentira, sem nenhuma vergonha. Apensar dela estar ali imóvel como um iceberg no meio do Polo Norte, esperou até que ela dissesse alguma coisa, nem que disse apenas um ‘’ não me lembro’’, mas mesmo assim sabia que ela estaria mentindo. fechou os olhos evitando o contato dos seus com os dele e coçou a garganta até que a voz alcançasse a boca e o som da resposta alcançasse os ouvido de ambos.

– Me lembro mas não entendo – ela murmurou sincera. Sinceridade era o que faltava em seu vocabulário de vida, mas com a convivência tão de repente desse garoto nem ela mesma estava se reconhecendo. Seus olhos fitavam seriamente as mãos do garoto que estavam perigosamente desse garoto.

Seus olhos fitavam seriamente as mãos do garoto que estavam perigosamente próximo de seus braços outra vez. Mesmo seu corpo formigando por mais um contato pele na pele dele, nunca iria ceder assim tão facilmente. O vento bateu forte contra os cabelos ondulados dele e permitindo sentir onde estava o cheiro de um perfume viciante quer vinha de partes da nuca dele. Lugar esse que quase não conseguiu despregar os olhos. Lembrou de que fazia muito tempo que estava ali patada em frente ao portão do colégio com ele e com isso veio lhe na cabeça uma desculpa perfeita para ir para casa. Só não contava com a facilidade do garoto em descobrir suas mentiras.

- Não precisa entender – ele disse sorrindo. não deixou de reparar em como sorrindo ele parecia mais vivo, bonito – Só... – olhou em volta como se temesse alguém o ouvindo – Só não esqueça do que eu disse.

E então, junto com aquele sorriso, seu cheio viciante e seus olhos extremamente sinistros, ele se foi, a deixando sem ao menos saber seu nome ou se aquilo era alguma espécie de pegadinha. O vendo caminhar parta longe, apertou os olhos e abriu em pouco os lábios na intenção de gritar, o chamar, ou qualquer coisa que o fizesse voltar, mas no fundo estava aliviada por ele estar de afastando, sem ele por perto sua cabeça estaria sob seu controle, e as batidas de seu coração também. imitou o garoto e também foi para casa, passando por uma rua contrária de onde ele andava. Preferiu assim com medo de, se si aproximasse de novo talvez não teria total controle de suas ações. Chegou em casa exausta, sem notar que passou a manhã inteira em jejum, mas não tinha fome alguma, o que estava começando a ficar comum em seu dia-a-dia. Por ela passaria um bom tempo sem se alimentar, nada a impedia.

Mesmo dentro do quarto conseguia ouvir os passos firmes de sua tia ao passar da sala para a cozinha, como sempre fazia quando chegava de mais uma aula de dança d ventre. desceu as escadas correndo, torcendo para ganhar uma boa noticia sobre a situação da casa que há meses estava atrasada no pagamento do aluguel. Íris, sua tia, usava alguns acessórios colorido e brilhantes sobre o rosto e partes do braço, além da maquiagem pesada nos olhos. detestava vê-la assim, por isso nunca quis acompanhá-la nas aulas quando a mesma a chamava. Depois que começou a morar com íris, sua vida ganhou um pouco de privacidade, mas muita solidão. Ao ouvir os suspiros seguidos da sozinha, íris se virou para encará-la, fazendo os seus braceletes se balançarem e soarem um som como sinos. Isso fez os ouvidos de doerem. Começou a tirar seus acessórios enquanto dizia:

- Essa foi a minha última aula.

O motivo entendeu rapidamente, mas sentiu pena da tia retirando os objetos do corpo com tristeza. Dançar era o que ela fazia para se distrair e se esquecer do passado, mas afora precisava do dinheiro das aulas para pagar a casa. A situação financeira das duas não era lá muito boa, e se aborrecia quando íris pedia para que ela vendesse algum de seus quadros e conseguisse dinheiro. Nunca passou pela sua cabeça um dia ganhar dinheiro em cima de seus quadros porque era apenas um hobby e mesmo que sua tia diga o contrário, ela achava que não pintava tão vem assim. Seu quarto já não cabia mais tantos quadros feitos e outros em branco ainda esperando apara serem pintados. Ela se lembrou de seu primeiro quadro pintado a quatro anos e mio , o fundo branco e uma cruz preto no centro. Isso representava exatamente tudo o que ela estava sentindo. Íris trabalhava como entregadora de marmitas no centro da cidade o que era claro que não arrecadava tanto dinheiro, mas em seu pensamento conseguia viver ali á um poucos meses Tempo suficiente para pensar em outro lugar para morar. Claro que sabia que esse planejamento talvez não poderia dar muito certo, pois o dinheiro do aluguel era cobrado toda semana e a qualquer momento seriam despejadas dali. Ela tinha umas ideias na cabeça para resolver toda essa situação, mas mesmo não sendo honesta, teria que pelo menos tentar ou então sua vida pioraria mais do que já sentia que estava. inventou uma desculpa qualquer para poder sair de casa e caminhou determinada até o centro da cidade, que logo estranhou não estar tão movimentado como nos outros dias. Passou em frente a várias lojas de roupas e sapatos até entrar em uma no final da ruía. Ela mesma não acreditar que estava fazendo isso, mas sua cabeça só pensava em viver sem mais nenhuma decepção na vida. Na vitrine da loja se via várias novas coleções de outono inverno vindas de Paris como marcas caras e bem famosas. Ficou um tempo olhando algumas roupas ate perceber uma das vendedoras se aproximar. Ela sorriu para como se mostrasse simpatia.

- Só estou... Olhando – justificou e continuou o que estava fazendo. A mesma entendeu sem desconfiar de nada, afina muitas pessoas iam só para ‘’dar uma olhadinha’’.

sentiu a mulher se afastar e olhou o resto da loja. Não estava tão cheia. Se viu despercebia quando olhou todas aquelas pessoas se divertiram provando roupas novas e então achou o primeiro provador que ficava ao lado do caixa. Pegou uma roupa qualquer sem se importar com o número e foi até o provador começar o tal plano e entrou, podendo ver pelo espelho o que acontecia no caixa. Permaneceu uns minutos lá dentro até confirmar que o caixa estava vazio e fechou os olhos desejando que tudo desse certo.Se agachou cautelosa e foi engatinhando até o caixa, do lado de dentro do balcão. Procurou desesperadamente pelo lugar onde guardavam o dinheiro que recebiam das compras. Logo que achou, pegou uma boa quantia e pôs dentro do bolso da blusa que estava amarrada em sua cintura. Suas mãos tremiam. Nunca lhe passou pela cabeça algum dia pensar em roubar, seja o que for e para o que for, sempre fora contra essas cosas, mas naquele dia para tudo o que ela queria era uma nova vida, sem decepções e arrependimentos. era uma garota orgulhosa, não gostava que ninguém fizesse a cabeça dela por isso preferiu fazer do jeito dela a solução para aluguel da casa. Um trabalho estava fora de cogitação, além de que até que ela recebesse o salário já estaria junto á sua tia do lado de fora da casa.

Mas de uma coisa ela não percebeu, um descuido poderia acabar com todo seu plano de mudar de vida. Já fora da loja, percebeu que algo estava faltando e então se lembrou do broxe com o nome e o símbolo do colégio onde estuda não estava com ela e sim preso na blusa que pegou para provar, que agora estava esquecido ao lado do caixa. Será que, por causa de um broxe preso na ponta de uma blusa seria sua válvula de escape para os próximos piores dias de sua vida?

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